segunda-feira, 16 de junho de 2008

Que o nosso cérebro


é muito labiríntico, é de todos conhecido.
Os comentários do Paulo e do Mike ao post sobre o primeiro livro que li, suscitaram-me o repensar numa velha questão, que sei não ter resposta, mas que, por isso mesmo, me não larga: guardo da mais remota infância pormenores, que na aparência não têm razão de ocupar lugar na memória , dada a sua irrelevância- tenho em mente, além de muitos outros detalhes insignificantes, o facto de ter ficado na lembrança o vestido que trazia no dia em que morreu o meu avô materno, assim como a refeição que a empregada quis, em vão, obrigar-me a comer (arroz de frango), isto apesar de guardar uma imagem muito vaga desse avô, que morreu quando eu tinha seis anos...

7 comentários:

philippine lottery disse...

Baw ah, kasagad sa imo maghimo blog. Nalingaw gd ko basa.

mike disse...

Tentei pesquisar de forma a dar-lhe uma resposta para aquilo que diz saber não ter resposta. E encontrei esta citação de Samuel Johnson - a verdadeira arte da memória é a arte da atenção. A Cristina deve ser uma pessoa muito atenta aos detalhes, às coisas que a rodeiam e aos pequenos pormenores. São eles que ficam na sua memória, por mais insignificantes que possam parecer aos olhos dos outros. Digo eu, mas cá me parece que há para aqui muita desconversa... ou se calhar não...

Cristina Ribeiro disse...

Reconheço-me nessa citação, Mike.
Dou mesmo muita atenção aos pormenores- demasiada, dizem os meus!

O Réprobo disse...

Os pormenores que fixamos são pormaiores, é o que é. Também tenho algumas recordações muito remotas, por exemplo, com quatro anos recém-feitos, estar a brincar com as chaves que despontavam da algibeira do meu Pai, enquanto ele comprava bihetes para um filne do Cantinflas...
Beijo

Cristina Ribeiro disse...

Ai o que a minha mãe gostava de ver o Cantiflas, em Setembro, na Póvoa de Varzim!
Tem razão, Paulo, para lhes termos prestado atenção, é porque os pensávamos "pormaiores" :)
Beijo

ana v. disse...

A morte do seu avô deve ter sido o seu primeiro contacto com a morte, Cristina. Essa percepção de uma realidade dura, que pôs provavelmente a chorar as pessoas de quem mais gostava (mesmo sem perceber bem porquê), deve ter sido um choque suficiente para fazer com que tivessem ficado gravados na sua memória alguns pormenores desse dia.
Estarei a divagar?

Cristina Ribeiro disse...

Acho que foi isso, Ana, nesse caso concreto, mas há muitos mais episódios, alguns bem anteriores, de que guardo momentos soltos, como que suspensos, sem que saiba porque é que lhes prestei a tal atenção de que fala o Mike...