terça-feira, 17 de junho de 2008

Quando desejado,

o silêncio é a melhor das ofertas com que os deuses podem agraciar os humanos.
Estes momentos só podem ser enriquecidos com o som da água que corre num qualquer regato, ou rio, ou, na falta deste, o "sound of silence" admite apenas o doce tocar de um piano.
Mas alturas há em que o silêncio se torna demasiado ruidoso dentro da nossa cabeça, de tão pesado e incómodo que é ; um intruso, que só se tolera porque se fecham os olhos, à espera que nos favoreça com a sua ausência...

12 comentários:

fugidia disse...

:-)
Há momentos em que anseio pelo silêncio, Querida Cristina (que isto de ter duas princesas dá muitas vezes vontade de fugir e ficar quietinha, num cantinho, de olhos fechados e ouvidos tapados)!
:-)))

Cristina Ribeiro disse...

Mesmo não tendo princesas, querida Fugidia, sei do que fala, porque princesas e príncipezinhos é o que não falta por cá,ainda que em part-time :)
Mas esse é um luxo muito apetecido, mesmo fora dos trabalhos palacianos :)

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
um tagarela como eu nunca viveu silêncios insuportáveis, todas as crises que atravessei foram ou loquazes ou simplesmente barulhentas. E mesmo na solidão ouvia palrar e gritar dentro de mim.

Prefiro pensar o silêncio numa excepcional circunstância - a de dois amigos que se sentem bem perto um do outro, sem necessidade de abrirem a boca. Dos muitos que fazem o favor de me distinguir com o respectivo afecto, um único está plenamente nesta condição. E são momentos em que nos sentimos extraordinariamente bem, os desse convívio.
Beijo

Cristina Ribeiro disse...

Pelo contrário, eu conheço esse silêncio indesejado, do qual queria, podendo, fugir a sete pés, e digo-lhe: é um alívio quando ficamos sós, apenas com o silêncio querido.

Ah, já ouvi falar muito nessa comunhão de silêncios, mas nunca tive a ventura de a conhecer.
Beijo, Paulo

fugidia disse...

Diz bem o Rép, querida Cristina.
O afecto maior é quando estamos ao lado de alguém e o silêncio não significa o abismo mas a comunhão.
:-)

Cristina Ribeiro disse...

Acredito que sim, querida Fugidia, mas essa deve ser uma bênção só para os eleitos...

Júlia Moura Lopes disse...

Querida Cristina, eu sei do que fala, conheço os dois extremos. Eu gosto do silêncio e partilha-lo só consegui até hoje faze-lo com muito poucas pessoas.

espraiar o pensamento é um direito que me assisto...lutei por ele.

beijo grande

Cristina Ribeiro disse...

Júlia, o silêncio tem sido crescentemente importante na minha vida; claro que não quero isolar-me, de maneira nenhuma, mas necessito desse silêncio: sinto mesmo que as pessoas me acham um bocado "estranha" :)
E a comunhão de silêncios penso-a ser mesmo só para os tais eleitos...
beijinho

Luísa disse...

Querida Cristina, já experimentou certamente a «comunhão no silêncio» com pessoas da sua família. Eu já experimentei e por aí me fiquei. Com os meus amigos, faço – e gosto de fazer – alguma cerimónia, pelo que os silêncios são sempre um pouco sentidos (quando não pesados). Mas não acho que seja essa «comunhão no silêncio» que qualifica as amizades. Na verdade, vou lidando melhor com o silêncio à medida que a consideração decresce. :-)

Cristina Ribeiro disse...

É esse "pesado" que me constrange, Luísa.
Silêncios gosto de os viver só, porque, como digo, nunca tive a ventura de o sentir como bom entre mim e outrem :)

minucha disse...

Eu gosto do silêncio, de todo o silêncio.
Partilhá-lo com outros é difícil, raro, como diz a Júlia, mas tenho tido esse privilégio e é uma sensação de feliz aconchego.

Cristina Ribeiro disse...

Invejo-lhe esse privilégio e sensação de feliz aconchego", Minucha felizarda :)