quarta-feira, 28 de maio de 2008

Lenço dos Namorados

"É tam certo eu amarte
Como branco o lenço ser
Só deixarei de te amar
Quando o lenço a cor perder"

17 comentários:

mike disse...

A Cristina sabe que eu sou um bocado lento quando de poesia se trata, nunca escondi... Se prometer que não se ri, já que de tratante insensível não me livrarei de ser, no mínimo, pensado, digo-lhe que interpretação dei após a leitura das primeiras 2 linhas.

Cristina Ribeiro disse...

Ora, ora, Mike, isto é do mais básico que há: as bordadeiras escreviam exactamente o que sentiam, com erros ortográficos e tudo, sem elaborarem nada que fosse: sentimento puro, e isso sei que o Mike não é lento a abarcar, por mais que teime em dizê-lo :)

mike disse...

Está a ver? Já consigo vislumbrar um sorriso que não tarda vira uma risada impiedosa. Mesmo assim vou arriscar. Quando cheguei ao lenço branco, admirei-me por ter pensado que as bordadeiras, quando cansadas de amores não correspondidos, também mostravam um lenço branco, ao estilo "põe-te a andar daqui", como no futebol.
Bolas, já consigo ouvir as gargalhadas que chegam do Minho...

Cristina Ribeiro disse...

Quase as famosas "chicotadas psicológicas", Mike? Rio-me é das expressões futebolescas, isso sim :) :)
Mas que é uma associação bem apanhada, é- só que os lenços brancos dos namorados bem depressa ficavam cheios de cor, com tantos bordados ditados pelo bem querer das moçoilas :)

mike disse...

Simpática, a Cristina... eu a imaginá-la a conter as gargalhadas e com um riso abafado... :)

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
é quase uma versão popular da peça da roipa da Amada que os cavaleiros andantes traziam junto a si. Aqui o pano é deles, mas com os bordados das moças torna-se também elo de uma certa simbiose.
Beijo

cristina ribeiro disse...

Qual riso contido e abafado, qual quê, Mike? Um riso à solta :)

cristina ribeiro disse...

É, Paulo, não me tinha lembrado desse paralelismo; mas, no fim de contas, os Antónios eram verdadeiros Cavaleiros Andantes...
Beijo

Júlia Moura Lopes disse...

Cristina!! Andei à procura do lenço e só vi a imagem depois de procurar. aida estou a rir

cristina ribeiro disse...

Olá Júlia. Bem-vinda! Foi mais uma aselhice minha :); por não ter visto a imagem, também, é que voltei a postá-la :)
Beijinho

ana v. disse...

Adoro estes lenços do Minho, tão ingénuos e tão bonitos!
E a quadra, que delícia... uma contradição pegada: se o lenço está cheio de cor, não é branco, logo, a rapariga não ama o rapaz. E se é branco, não tem como perder a cor...
Ainda há quem os borde, Cristina? Adorava ter um.

Cristina Ribeiro disse...

Em Vila Verde, Ana, há quem os borde ainda, seguindo os desenhos originais; penso até que os vendem via internet

O site é: www.info@adereminho.pt

ana v. disse...

Obrigada, Cristina. Hei-de ir lá espreitar.
Beijinho

Tiago Laranjeiro disse...

Belos lenços, Cristina, sem dúvida. Lembro-me de os ver sempre à venda na excelente Feira de Artesanato da minha Vila do Conde, que decorre nas primeiras semanas de Agosto. Fica aqui a informação para o caso de Ana Vidal querer mesmo comprar um.

Já aqui postou o traje da Minhota, já aqui mostrou este lenço, mas para quando artesanato de Guimarães? Para quando bordados de Guimarães?

fugidia disse...

Belíssima a poesia e belíssimo o lenço :-)

(e lento, o Mike, não há dúvida - riso abafado, o tal que ele estava à espera! ah! e gargalhadas...)
:-)))

Cristina Ribeiro disse...

Tiago, não perde pela demora; breve, breve :)

Cristina Ribeiro disse...

Fugidia, acho que essa " lentidão" do Mike é o fingimento do poeta que está dentro dele :)