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sábado, 12 de julho de 2008

De António Manuel Couto Viana

Pedi ao Farol da Guia
Pra que a nau não naufragasse
Na noite que for o dia
Que fosse luz e a guiasse

E pedi mais:
Que baloiçasse no ar
Os sinais
Do tufão que vai chegar
Pra que ao abrigo do cais
A nau achasse lugar

E o primeiro farol
De aviso à navegação
Do mundo onde nasce o Sol
Não me disse sim nem não

Mas a âncora ancorada
Como fanal de bonança
Entre os muros da esplanada
Disse, sem me dizer nada
- Tem esperança!

Porque urge o tempo,

porque navegar é preciso, à bolina, contra os ventos fortes que já há muito rasgam as velas desta embarcação que é mister fortalecer, porque nunca o monstro esteve tão perto de ganhar o mar que não é dele.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Estado da Nação


E um outro Homem do Leme, que faça frente ao Mostrengo, não?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Assim via , em 1921, «O Século Ilustrado»

o povo a ser asfixiado pelo "Polvo Gigante"...

Não há homens providenciais? Acho que há. Mas também há homens que não sabem sair do lugar onde muito fizeram, em tempo apropriado.
Para mim, Salazar reúne as duas qualidades.

Quando a Primeira República tinha já deixado o País num estado lastimoso, ele foi muitíssimo oportuno, no labor de o levantar do atoleiro em que se encontrava, pelo que temos muito a agradecer-lhe.
Mas a maior virtude dos Grandes Homens há-de ser, forçosamente, a de ter a coragem, e o saber, de sair de cena na altura certa; essa vejo-a eu no final dos vinte primeiros anos em que esteve à frente dos destinos do País que se propôs levar adiante, o que fez com êxito...



Ainda a tempo- e, claro que, na minha perspectiva, deveria ter passado o testemunho a quem de direito; a quem fora esbulhado em 1910, depois de, dois anos antes, ter sido vítima de um crime horrendo; muitos males, penso, nos teriam sido evitados...

domingo, 1 de junho de 2008

Já tenho ouvido (2)

Ainda do mesmo escritor, referindo-se ao malfadado rotativismo parlamentar, lê-se: " As lamentáveis desordens parlamentares , as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País, que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula: - tão bons uns como os outros! ": passava-se isto no ano da graça de 1890, mas o panorama é o mesmo que estamos a viver!

sábado, 31 de maio de 2008

Já tenho ouvido...

Das Edições Nova Ática, leio o opúsculo «Novos Factores da Política Portuguesa», que Eça de Queirós fizera publicar pela primeira vez na «Revista de Portugal», em 1890, e deparo com o parágrafo:
"O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter porque todas as reformas que, como partido republicano, lhe cumpriria reclamar, já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. Decorre que se vai para a república ou se tende para ela, não por doutrinarismo, por urgência de mais liberdade e de instituições democráticas, mas porque numa já considerável parte do País se vai cada dia radicando mais este desejo: antes qualquer coisa do que o que está!
(...) porque esses espíritos sentem todos os dias uma aversão maior pela política parlamentar, tal como ela se tem manifestado".
E pergunto-me: mas não é esta mesma aversão que já se vai sentindo em muitos espíritos?