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sábado, 12 de julho de 2008
A ler,
domingo, 6 de julho de 2008
O "Poeta do Lima"
«O Minho Pittoresco»
Princípios de Verão, não dispenso uma tarde nas margens daquele que foi a grande inspiração do nosso poeta quinhentista, que privou entre outros, com Camões, Sá de Miranda e António Ferreira:«Diogo Bernardes, o príncipe da poesia pastoril(...). Amigo de D. Sebastião, levou-o consigo o príncipe à jornada d'Africa, para que o poeta cantasse a temeraria empreza. Esteve na batalha de Alcacerquibir, onde ficou prisioneiro dos mouros; resgatado como tantos outros, veio na patria exercer o modesto cargo de "moço de toalha", e com esses recursos viveu até ao dia da sua morte em 30 de Agosto de 1595. Bucolico primoroso, ou não lhe correra a infância na santa paz suave d'esta natureza louçã, a sua poesia é a mais bella descripção do rio, que tão celebrado tem sido nas lyras maviosas dos poetas peninsulares»
Que te parecerá que se arrepende
De levar água doce ao mar salgado
Lê-se no Dicionário de Literatura: «Poeta do Lima se lhe chama, porque sendo natural e vivendo muito tempo na ribeira do Lima, cantou particularmente aquele rio, mas não foi só o Lima(...). o Tejo, o Douro, o Mondego, o Leça, o Vez...
O que porventura melhor distingue Diogo Bernardes é a melancolia vaga e doce, um pouco à Bernardim(...); a profunda religiosidade que o aproxima às vezes do poeta seu irmão Frei Agostinho da Cruz».
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A nossa Terra,
Grandes Portugueses
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Os dois Grandes, nas palavras de Ramalho Ortigão
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Grandes Portugueses
terça-feira, 10 de junho de 2008
Postais antigos- Visita à casa de São Miguel de Seide
"A respeito do último discurso de Calisto Elói, as gazetas governamentais estamparam que a sala de representação nacional nunca tinha sido testemunha de insolências de tamanha rudeza e tão audaciosa ignorância". ( «A Queda de um Anjo» de Camilo Castelo Branco)
Era muito pequena quando meu pai me levou a casa de Camilo.
Dessa visita guardo uma memória muito esbatida, tendo-me ficado na retina aquela cadeira de baloiço, muito provavelmente porque fiquei impressionada quando o guia disse que terá sido aí que o escritor se suicidou.
Cresci a ouvir falar nele com grande admiração: o seu busto estava num lugar de destaque, junto da Camiliana. Quando, timidamente, e com relativa desconfiança, me aventurei na sua obra, confesso que não fiquei logo cativada.
O encantamento viria mais tarde com «A Queda de Um Anjo», primeiro, e «Eusébio Macário» e «A Corja», depois: a escrita escorreita, a riqueza do vocabulário, e a fina ironia iriam fazer com que, de quando em quando, voltasse a eles, nem que seja para ler um trecho ou outro...
*Casa de Camilo em 1944, fotografia oferecida pelo Nuno Castelo Branco.
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Infância
Postais antigos- Tomaz de Figueiredo
"Morro de amor pelo meu pátrio Minho, pela vila dos Arcos, pela Casa de Cazares, onde a minha infância dorme, onde esperei feliz envelhecer, escrevendo livros, sempre livros, onde cuidei morrer, e, como Goethe, pedindo luz e luz, sempre mais luz, de janelas rasgadas sobre o Vez, sobre a fonte que jorra da carranca, sobre as minhas amadas laranjeiras.
Fausto, morro de amor pelos meus livros, pelos romances que pensei fugidos, perdidos e sumidos..." («Viagens no Meu Reino» )
Dele diz João Bigotte Chorão: "Não era Tomaz de Figueiredo, como Raul Machado, um gramático , um erudito, um especialista- era um escritor, um cavador de palavras, um servidor do idioma. O que lhe faltaria em ciência académica sobejava-lhe em intuição e amor...".
No «Dicionário de Literatura» acrescenta David Mourão Ferreira: "Prodigioso evocador do passado, em verso e em prosa, grande poeta da memória, Tomaz de Figueiredo consegue aliar a muitos rasgos temperamentais de raiz romântica uma disciplina clássica (...), integra-se numa tradição tipicamente portuguesa da qual terá sido Camilo, antes dele, o mais alto expoente"
E ao reler «Coração Arquivista» de António Manuel Couto Viana, vejo, com o cuidado que me faltou quando o li pela primeira vez, este excerto: " Ao lê-lo , ( «A Toca do Lobo» ) senti que tinha encontrado o romancista que melhor se identificava com a minha sensibilidade; esse que eu gostaria de ser, se tivesse qualidades de ficcionista. Aliás, aqueles climas, aquelas personagens, conhecia-os eu de sempre; encontrava-os por toda a Ribeira-Lima, em minha casa ou nas que frequentava, nas ruas e nas feiras ou quintas de lavoura e recreio- exactos, vivos, com a nobreza e o pitoresco que o Tomaz poderosamente retratava (...). Também não escapava à lupa bem focada do discípulo de Camilo o português de certos discursos de eminências políticas".
É este quase conterrâneo- nasceu em Braga a 6 de Julho de 1902, embora bem cedo tivesse ido viver para Arcos de Valdevez- que até há bem pouco tempo desconhecia; quando mo apresentaram, aconselharam-me a começar a leitura da sua obra por «A Toca do Lobo»...; descobri então um escritor de mão-cheia, a quem, ainda nas palavras de Bigotte Chorão, " o instinto da língua, por um lado, e o seu trato com o falar do povo e a obra dos clássicos, por outro, deram um raro conhecimento do português, nas suas expressões mais populares e mais eruditas".
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Livros
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Uma outra visão de Camilo
Tinha este acto abonatório de uma índole generosa vindo a público nas páginas d'«O Primeiro de Janeiro» de 3 de Junho de 1890, pouco tempo, portanto, após a morte do escritor.
"Foi há muitos anos, na Póvoa de Varzim.
Camilo achava-se naquela praia, para onde fora com os filhos, que iam fazer uso dos banhos do mar.
No mesmo hotel em que estava Camilo, achava-se um medíocre pintor espanhol, que perdeu no jogo da roleta o dinheiro que levava.
Havia três semanas que o pintor não pagava a conta do hotel, e a dona, uma tal Ernestina, ex-actriz, pouco satisfeita com o procedimento do hóspede, escolheu um dia a hora do jantar para o despedir, explicando ali, sem nenhum género de reservas, o motivo que a obrigava a proceder assim.
Camilo ouviu o mandado de despejo, brutalmente dirigido ao pintor. Quando a inflexível hospedeira acabou de falar, levantou-se, no meio dos outros hóspedes, e disse: - A D. Ernestina é injusta. Eu trouxe do Porto cem mil réis que me mandaram entregar a esse senhor e ainda não o tinha feito por esquecimento. Desempenho-me agora da minha missão.
E puxando por cem mil réis em notas entregou-as ao pintor.
O espanhol, surpreendido com aquela intervenção que estava longe de esperar, não achou uma palavra para responder. Duas lágrimas, porém, lhe deslizaram silenciosas pela faces, como única demonstração de reconhecimento"
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