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domingo, 13 de julho de 2008

Quando a dezassete de Julho

de 1843, e depois de ter citado Maistre, Garrett entrou num vapor com destino a Santarém, estava a escrever as primeiras páginas de um livro que, muitos e muitos anos depois, me iria atrair a atenção não tanto pelas digressões várias que aí se narram, mas porque queria saber da história da menina dos rouxinóis.
Com efeito, da primeira vez que contactei com «Viagens na Minha Terra», teria talvez doze anos, apenas o romance de Carlos e Joaninha me cativou; só uns anos mais tarde, com o livro a integrar as leituras previstas pelo programa da disciplina de português, me debruçaria interessadamente sobre tudo o mais que o escritor tinha para nos dizer, e foi muito fácil perder-me entre aquelas divagações...

sábado, 12 de julho de 2008

Uma frase desesperançada,

de Camilo Castelo Branco, lida no Obliviário- « Que me importa o futuro? Dos homens nada espero. Além dos homens está o dormir dos séculos»- faz~me tirar da estante«Memórias Póstumas de Brás Cubas», para reler um trecho em que a Natureza ou Pandora, "mãe e inimiga", pois que no simples facto de se viver já ela declara inimizade, faz o protagonista "ver os séculos a passarem, velozes e turbulentos(...), cada um com a sua porção de sombra e de luz, de apatia e de combate, de verdade e de erro".

domingo, 6 de julho de 2008

Sei que, com o seu espírito


de coleccionador, Paulo, terá já conhecimento deste postal.
Mas não resisti a postá-lo, por o ter encontrado, inesperadamente, num livro que em nada se relaciona com o Estoril.
Nem sei sequer se este Hotel Atlântico existe ainda.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O ter encontrado este ex-libris

num alfarrábio, levou-me até este título recente. Mas não é mais do que um acaso.pois não?
A Eva a colher o fruto proibido só aparece aí porque faz um bonito desenho...

domingo, 15 de junho de 2008

Postais antigos-« Mariazinha em África»


No passado mês de Agosto, o Paulo Cunha Porto lançou um repto aos seus leitores: se pudéssemos escolher, quais seriam as figuras do passado com as quais gostaríamos de falar.
Uma das eleitas foi Fernanda de Castro, não só porque tenho ouvido ter sido uma pessoa muito interessante, de conversa agradável, e com muito para contar, resultado de uma vida cheia, mas porque era dela o primeiro livro que li.
Foi nas férias depois de ter feito a Primeira Classe, tendo, por isso, aprendido a ler havia pouco tempo. Estava na praia, e pedi ao meu pai um livro: na semana seguinte ele trouxe-me o «Mariazinha em África»...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Postais antigos- Tomaz de Figueiredo



"Morro de amor pelo meu pátrio Minho, pela vila dos Arcos, pela Casa de Cazares, onde a minha infância dorme, onde esperei feliz envelhecer, escrevendo livros, sempre livros, onde cuidei morrer, e, como Goethe, pedindo luz e luz, sempre mais luz, de janelas rasgadas sobre o Vez, sobre a fonte que jorra da carranca, sobre as minhas amadas laranjeiras.
Fausto, morro de amor pelos meus livros, pelos romances que pensei fugidos, perdidos e sumidos..." («Viagens no Meu Reino» )

Dele diz João Bigotte Chorão: "Não era Tomaz de Figueiredo, como Raul Machado, um gramático , um erudito, um especialista- era um escritor, um cavador de palavras, um servidor do idioma. O que lhe faltaria em ciência académica sobejava-lhe em intuição e amor...".
No «Dicionário de Literatura» acrescenta David Mourão Ferreira: "Prodigioso evocador do passado, em verso e em prosa, grande poeta da memória, Tomaz de Figueiredo consegue aliar a muitos rasgos temperamentais de raiz romântica uma disciplina clássica (...), integra-se numa tradição tipicamente portuguesa da qual terá sido Camilo, antes dele, o mais alto expoente"

E ao reler «Coração Arquivista» de António Manuel Couto Viana, vejo, com o cuidado que me faltou quando o li pela primeira vez, este excerto: " Ao lê-lo , ( «A Toca do Lobo» ) senti que tinha encontrado o romancista que melhor se identificava com a minha sensibilidade; esse que eu gostaria de ser, se tivesse qualidades de ficcionista. Aliás, aqueles climas, aquelas personagens, conhecia-os eu de sempre; encontrava-os por toda a Ribeira-Lima, em minha casa ou nas que frequentava, nas ruas e nas feiras ou quintas de lavoura e recreio- exactos, vivos, com a nobreza e o pitoresco que o Tomaz poderosamente retratava (...). Também não escapava à lupa bem focada do discípulo de Camilo o português de certos discursos de eminências políticas".

É este quase conterrâneo- nasceu em Braga a 6 de Julho de 1902, embora bem cedo tivesse ido viver para Arcos de Valdevez- que até há bem pouco tempo desconhecia; quando mo apresentaram, aconselharam-me a começar a leitura da sua obra por «A Toca do Lobo»...; descobri então um escritor de mão-cheia, a quem, ainda nas palavras de Bigotte Chorão, " o instinto da língua, por um lado, e o seu trato com o falar do povo e a obra dos clássicos, por outro, deram um raro conhecimento do português, nas suas expressões mais populares e mais eruditas".

domingo, 8 de junho de 2008

Já cá está,

Paulo. Agora é meter os olhos na obra daquele que é "o nome central da literatura brasileira e um dos mais singulares clássicos da língua portuguesa"; é que é já a seguir...

Leio na «Alameda Digital»

sobre a obra de João de Araújo Correia, a quem João Bigotte Chorão aludira já, e fico com vontade de adquirir os livros ora editados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Porque fiquei com a impressão de que cultiva um estilo que me prende às palavras.

terça-feira, 27 de maio de 2008

" Vamos à Feira do Livro"

Durante anos, a do Porto foi a única que conheci.
Era uma festa quando, no mês de Maio, e sempre num
Domingo à tarde, o meu pai anunciava: - "vamos à Feira do Livro". Numa rotunda da Boavista encharcada, e debaixo de fortes chuvadas tínhamos diante de nós a promessa de trazer um livro mais para casa. O primeiro que de lá trouxe foi-me oferecido por um senhor de uma Editora, que me deu a escolher entre dois livros verdes e grandes: «Heidi» e «O Gnomo»- optei por este, mas lembro-me de, depois, ter pensado que tinha escolhido mal...
Seguiram-se , noutros anos, os livros azuis da Condessa de Ségur: »Memórias de um Burro» para mim, «Os Desastres de Sofia» para a minha irmã.
Só muito mais tarde iria conhecer a do Parque Eduardo VII...

sábado, 24 de maio de 2008

Usurpando,

descaradamente, um título a João Marchante, do blogue «Eternas Saudades do Futuro»,escolhi , hoje na Livraria, como "Livro para hoje" este de Agustina, uma escritora que aprecio, integrando-a na mesma Escola de Camilo- o escritor eleito entre todos- que é afinal a de Tomaz de Figueiredo e de António Manuel Couto Viana...
Pelo que leio na contracapa e badana, até na temática há essa proximidade: "Maria Adelaide é uma mulher munida de uma alegria negra que é a de escapar ao amor da lei e às cumplicidades que a rodeiam"...