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domingo, 20 de julho de 2008

«Ficar a ver navios»

Só este fim-de-semana soube a origem desta expressão: quando, no dia um de Dezembro de 1807- tal como prometera a Napoleão: "V. Majestade quer que eu esteja em Lisboa no dia 1; lá estarei"- Junot entra em Lisboa, já a Corte de Portugal partira para o Brasil, no dia anterior, pelo que ele ficou a vê-los ao longe, fora de alcance, não podendo, assim, cumprir a primeira missão que lhe fora confiada- a de prender e depor a Rainha e o Príncipe Regente.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amanhã vou ver,

mas já tenho o catálogo.
Leio na introdução «Um dos traços mais marcantes do modo de ser das gentes de Guimarães reside na maneira generosa e arrebatada que os vimaranenses sempre colocam nos empreendimentos colectivos em que se envolvem, em especial quando estão em causa as bases da sua própria identidade comunitária(...) desde aqueles tempos remotos em que se lançaram os fundamentos da construção de Portugal(...)
É do lado da história que, inegavelmente, se posicionam os actos praticados pelos vimaranenses no ano de 1808, aquando da "feliz restauração" do Príncipe Regente D. João, num acto de resistência contra o invasor francês» (António Amaro das Neves, Presidente da Sociedade Martins Sarmento).

Este o espírito que resistiu à passagem dos séculos; sempre que esteve em causa bater o pé ao estrangeiro, a luta pela nossa independência, os vimaranenses estiveram lá...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Relembrando,

com as minhas irmãs, os passeios de comboio que fazíamos, durante as férias grandes, pelo Alto Minho, partindo da pequena estação de Valença, lembrei a vez em que passámos o dia em Monção, e, sabendo-se já que as memórias se ligam entre si numa associação sem quaisquer entraves, recordei que há tempos, quando se falava de Almeida, o Paulo se perguntava se não seria daí a "Joana d'Arc portuguesa", que, segundo a lenda, terá enganado os inimigos, que faziam cerco à praça, fazendo-os crer que os sitiados gozavam de uma abundância de mantimentos tal que os permitiria enfrentar o assédio sem privações.
Não sei se o caso se terá repetido noutras fortalezas, mas , dada, além do mais, a proximidade geográfica, retive desde sempre o acto de heroísmo da mulher do alcaide de Monção, Deuladeu Martins, quando esta vila foi atacada pelos castelhanos:
«Na guerra entre D. Fernando de Portugal e Henrique II de Castela, a mulher do capitão-mor Vasco Gomes de Abreu, fez levantar o assédio da praça, quasi exhausta de recursos, tomando o expediente de fabricar com a única farinha que possuía , alguns poucos pães, que arrogantemente foi atirar para fora das muralhas, dizendo aos inimigos: "a vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estaes fartos vos enviamos esse socorro, e vos daremos mais, se o pedirdes"

sábado, 7 de junho de 2008

Ai passa, passa!

Diz-se que a mesma água não passa debaixo da mesma ponte...

Porque deixava que a alma falasse

Ao longo dos anos, foram algumas as pessoas que ia vendo e ouvindo na televisão e que, de uma maneira ou doutra, me foram importantes, mas nenhuma houve que tenha sentido tão fundamental como o Professor José Hermano Saraiva.
Numa idade em que sei nem sempre ser fácil captar a atenção de alguém para qualquer outra coisa que não seja brincar ,o divertir-se com os amigos, lembro-me de ficar colada ao ecrã sempre que começava mais um «O Tempo e a Alma»: era tão fácil contagiar, com todo aquele entusiasmo...
Data de então o gosto pela História, que tive a sorte de ver continuado pela acção de um excelente primeiro professor da disciplina.

Mais tarde, e na continuação do prazer, experimentado desde muito cedo, em conhecer mais sobre a nossa terra, um livro que sempre me acompanhou foi aquele que recebeu o nome do programa televisivo: «O Tempo e a Alma- Itinerário Português»...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O homem a quem Fontes Pereira de Melo

incitou a ser «sempre um homem de bem», cunharia, durante a campanha para a fundação do Partido Regenerador Liberal, o termo « rotativismo», que viria a entrar de novo no léxico político, passado tanto tempo; como os Bourbons em França, os políticos em Portugal nada esqueceram e nada aprenderam.

terça-feira, 3 de junho de 2008

João Franco, deputado pelo círculo de Guimarães

"Guimarães, 14 de Junho de 1934.

Guimarães, a Terra-Mãe da Nacionalidade Portuguesa está, no próximo Domingo 17, em festa solene. Vai o coração vimaranense bater em uníssono sentir, a alma enlevada da Pátria
dum só parecer,
um só rosto e uma fé,
de- antes quebrar que torcer-
ao perpetuar, em romaria de amor e saudade, a memória querida de João Franco, que defendeu, num combate sem tréguas, a bandeira da Virgem da Oliveira, a bandeira sagrada do Concelho de Guimarães.
Esse monumento será o grito da nossa gratidão, do nosso reconhecimento(...) "


Nascido na freguesia de Alcaide, no concelho do Fundão, João Franco viria a participar activamente na política portuguesa pela mão dos eleitores deste círculo, em 1884, por indicação de Fontes Pereira de Melo- não obstante esta alta recomendação, baseada no seu promissor talento, ela começou por ser mal recebida: tratava-se de uma pessoa desconhecida, e nada fazia crer que iria mudar a política de ostracismo a que o concelho fora remetido pelo parlamento...
Esta primeira impressão, porém, depressa daria lugar a renovadas esperanças, quando o deputado começou a fazer ouvir a sua voz lúcida, corajosa e a denotar uma grande iniciativa, como quando, por exemplo, reclamou, e obteve- através da intervenção de Fontes- a criação da «Escola Industrial Francisco de Holanda».
E muitas outras foram as acções por ele protagonizadas em defesa da terra que o elegeu, como aquela em que, face à oposição à maior autonomia do concelho, e mesmo após Fontes Pereira de Melo, que sempre se mostrara solidário com esta pretensão, lhe ter sugerido, a fim de acalmar os ânimos vindos da Oposição, retirasse tal projecto, João Franco se mostrou firme , respondendo- " Não, não retiro, são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães" , ao que Fontes replicou, comovido, - "Sede sempre um homem de bem"...


Justifica-se, pois, plenamente, que o povo de Guimarães se lhe tenha referido nos seguintes termos: "Mas se amar a justiça é qu'rer a liberdade,
Conquista para o homem eterno galardão,
O culto que alcançaste aqui, nesta cidade,
Jamais acabará; impõe-no a gratidão."