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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Os piqueniques no Gerês.

Os nossos pais conheciam-se desde os tempos da JOC. Também eram muitos irmãos, de idades idênticas às nossas.
Ao domingo a mãe levantava-se muito cedo para fazer o arroz de vitela que haveria de chegar para todos.
Tudo pronto para a partida, só faltava embrulhar o tacho em jornais, para lhe manter o calor.
Rumávamos ao Gerês, onde o senhor Marques iniciava os meus irmãos na arte da pesca, em que ele era mestre...
Foi por essa altura que nos ensinou a cantar

Portugal é nosso,
E nós temos obrigação
De o conhecer,
Porque de Norte a Sul
Muito tem que ver

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mãe Coragem

A leitura deste

Saudades de uma rainha e de um príncipe

lembrou-me que tinha de falar da Mulher d'armas que sempre foi a minha mãe.
Quando solteira, e apesar de ter feito desse um tempo que gosta de recordar, sempre com muita saudade, teve uma vida difícil, como segunda rapariga num rancho de irmãos, quase todos rapazes mais velhos: cedo teve de se fazer adulta, conservando no entanto a frescura e alegria com que sempre enfrentou as adversidades; morando a poucos metros da Escola Primária, não lhe foi permitido ir além da 3ªClasse, porque o trabalho que tinha em casa não deixou.

Casada, bem depressa teve de tomar conta de uma família que se fez numerosa; era uma época em que por cá não se falava ainda em infantários- só ao sétimo filho pôde contar com essa ajuda.
E ao trabalho de ser mãe de tão grande prole- conta que quando queria levar-nos a algum lado, uma vez acabado de preparar o último, tinha de recomeçar, porque o primeiro se sujara entretanto-, teve ainda de juntar o seu esforço ao do meu pai para nos garantir uma vida confortável: era uma época em que, acabado o serviço militar, o meu pai se aventurou a "estabelecer-se por conta própria", e, mais uma vez, foi fundamental o trabalho feminino: no Inverno, por exemplo, levantava-se muito cedo para fazer o café que iria aquecer os empregados, aos quais se juntava a seguir, enquanto os filhos dormíam...

Agora, numa altura em que há muito tempo somos todos adultos, continua a mãe galinha, que não adormece sem primeiro fazer "a ronda" telefónica.

Dona de uma energia invejável, aos setenta e cinco anos ninguém lhe fale em reforma; continua a ser o elemento fundamental na fábrica que ajudou a erguer!
Além de que é um exemplo para todos nós: em Dezembro foi-lhe detectado um problema de saúde que a levou a uma cirurgia muito delicada- pois passado um mês lá estava no seu posto de trabalho...

sábado, 21 de junho de 2008

«Não me lembro de uma Erva-cidreira


tão boa como a deste ano!», disse a minha mãe quando a foi colher há dias, para secar, e guardar as folhas que hão-de durar até o próximo ano, quando, também pelas orvalhadas do São João, se fizer nova apanha.
" Há-de ser feita antes do nascer do sol, senão amarga".
Muito cedo lhe foi inculcada a crença nas propriedades calmantes da planta, pelo que lembro, desde sempre, uma grande chaleira (chamávamos-lhe "chocolateira", embora nunca tivesse sido usada para fazer chocolate, e era feita de barro), com a infusão quente, ao borralho, que tomávamos, invariavelmente, antes de deitar, com bolachas Maria. Era o melhor dos aconchegos...